
O recém publicado decreto que cria a nova Rede Brasileira de Bancos de Alimentos busca ampliar e fortalecer a política de garantia do direito à alimentação a brasileiros em situação de insegurança alimentar e nutricional.
Essa política de economia circular já está presente no país desde 2017. Patrícia Gentil, Diretora do Departamento de Promoção da Alimentação Adequada e Saudável, do Ministério do Desenvolvimento Social, explica como funcionam os bancos de alimentos.
“É importante a gente referendar os bancos como estruturas físicas ou logísticas. Que podem ser públicas ou privadas, sem fins lucrativos, que ofertam serviços gratuitos de captação, recepção e distribuição de alimentos provenientes de doações, e no direcionamento desses alimentos às pessoas, ou às famílias ou às entidades que atuam com famílias em segurança alimentar e nutricional”.
No Recife, capital de Pernambuco, o banco de alimentos foi criado em 2023. Após mudar de sede e passar por reestruturação, o equipamento aumentou a capacidade de armazenamento em sete vezes, alcançando 100 toneladas.
Pâmela Alves, Secretária de Assistência Social e Combate à Fome do Recife, informa que 48 entidades sociais estão cadastradas junto ao banco e são responsáveis por levar alimentos a 27 mil pessoas por dia na capital pernambucana.
“Dessas 48 unidades,18 são cozinhas solidárias. Então, elas utilizam esses alimentos que são doados pelo banco para fazer preparações, essas preparações viram refeições. Outras 30 unidades são entidades sociais que oferecem acolhimento com a população em vulnerabilidade, mas também há uma destinação em forma de cesta básica verdes”.
Em Brasília, o banco de alimentos funciona desde 2012 nas dependências da Ceasa DF. As frutas, verduras e legumes são as principais doações. Isso engloba desde aqueles produtos que têm valor nutricional, mas perderam valor de venda na central de abastecimento, quanto alimentos adquiridos de produtores locais.
Com a permissão para que a Ceasa DF crie um instituto na forma de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, a previsão é de aumentar a capacidade de atendimento. Essa mudança deve ocorrer ainda este ano, como explica Miro Gomes, diretor de segurança alimentar e nutricional na Ceasa de Brasília.
“Com o novo Banco de Alimentos, ele vai poder fazer parcerias com empresas, poderá receber emendas parlamentares, poderá receber doações, tanto em alimentos quanto em dinheiro, para que o próprio banco faça essa aquisição. O novo Banco de Alimentos vai poder também comprar dos produtores, da agricultura familiar aqui do Distrito Federal e do Entorno. Enfim, ele vai aumentar a sua capacidade de atendimento”.
Atualmente, o Distrito Federal tem 400 instituições cadastradas no banco de alimentos, mas só consegue atender 140. Segundo o responsável pelo banco, atualmente, 80 mil pessoas são atendidas por mês com as doações na capital federal.
A ampliação da Rede Brasileira de Bancos de Alimentos foi pensada pelo governo federal para elevar a capacidade técnica e operacional dos bancos dos cerca de 200 bancos de alimentos espalhados pelo país. Além disso, a reformulação tem o objetivo de reduzir os impactos ambientais de resíduos sólidos e promover ações educativas relacionadas à alimentação saudável, como destaca a diretora Patrícia Gentil, do MDS.
“Também é o objetivo da rede fomentar ações educativas relacionadas à alimentação adequada e saudável, e promover a coleta e a distribuição de alimentos, com a priorização de alimentos in natura e minimamente processados, com base no Guia Alimentar da População Brasileira e o decreto da nova cesta básica do Brasil — e fortalecer aí essa rede de equipamentos de segurança alimentar e nutricional”.
Estima-se que, em 2023, a Rede Brasileira de Bancos de Alimentos arrecadou cerca de 73 mil toneladas de alimentos.
Fonte: Agência Brasil